Porque desisti de me tornar nômade digital, para me tornar nômade digital



Quem gosta de viajar necessariamente se dá bem com estilo de vida nômade? Estudando e conversando com experts no assunto, a maioria das referências afirma que não necessariamente uma coisa se encaixa na outra.


Mas há quem saiba explorar essa ilusão muito bem, quem nunca se deparou com conteúdos agressivos do tipo, 10 dicas para largar tudo e trabalhar à beira com seu laptop enquanto toma um coquetel?


Se por um lado, muitos puderam encontrar uma vida mais simples e focada no que vale a pena, por outro, muitos entenderam o nomadismo como largar tudo e viver em ritmo de férias.


Mas porque esse apego em largar tudo?


Desejar viver como um turista o tempo inteiro, não leva ninguém muito longe, é importante não cair no papo 'good vibes' que a positividade tóxica vende por aí, infelizmente, é justamente essa pegada que muitos se apropriam, para vender um curso ou livro, com promessas milagrosas para "hackear" a vida e viver para sempre em ritmo de férias.


A pandemia adiou um dos meus maiores planos de vida, me mudar de país, passei 2019 planejando saúde financeira, mental, emocional, física e planos de carreira para suportar essa mudança, mas vide a maior crise sanitária do século XXI, aprendi que sonhar vai além do planejamento.


E depois de digerir bastante essa refeição indigesta, hoje consigo agradecer esse sonho adiado, embora eu nunca tenha pensando em largar tudo, acredito que a minha estratégia estaria fadada a se tornar cansativa demais, se tornando por fim, um curto período feliz da minha vida, em que apenas viajei.


Um passo atrás, para reconhecer que não existe fórmula mágica quando o assunto é trabalho remoto; se por um lado a quarentena abriu nossos olhos para liberdade geográfica, por outro, essa liberdade é acompanhada de uma dose de bom senso e pé no chão.


A epopéia do Nomadismo Digital pode ser comparada a um evento narrativo, uma peregrinação:


Fundamentalmente, o caminho da peregrinação não é uma passagem que deva ser atravessada o mais rápido possível; ao contrário, trata-se de um caminho repleto de semântica, nesse sentido, um peregrino não é um turista. Sociedade da Transparência, Byung-Chul Han.

O excesso de positividade que hoje domina a sociedade, é um indicador que justifica tantos discursos de incentivo ao "largar tudo" por aí; sinalizando o quanto estamos sendo privados de viver a narratividade do peregrino, vide a busca incansável de nos tornarmos apenas turistas (ser turista também é legal ok).


O caminho de peregrinação é uma passagem, logo, não é um fim, mas um meio com muitos significados, cheio de transformações, cura e gratidão. Nomadismo Digital, não é algo que se torna, é algo que se experimenta, é mais sobre aprender a viver como um nativo, a viver a vida acelerada de um turista.


Em conversa com a Lidiane Carvalho, que há dois meses foi para o litoral em busca desse ponto ótimo, ela me contou sobre uma experiência maravilhosa que aprendeu vivenciando a ideia:


"Para mim o ponto chave foi aliar e encontrar o equilíbrio entre meu desejo de ser bem sucedida na minha carreira, dedicando energia e esforço nas minhas metas profissionais, e na outra ponta meu desejo igualmente importante de ter mais qualidade de vida e poder contemplar a natureza mais de perto. Ou seja, ciente que viver na praia não é sinônimo de estar de férias, sei que preciso focar na minha jornada de trabalho exatamente como era antes, mas com certeza o hábito de fazer uma caminhada sentindo a brisa do mar antes de dar início às reuniões virtuais fez a minha rotina ser mais muito mais leve e agradável."

Ponto de equilíbrio, é uma interseção mágica, muito singular e individual, só é possível encontrar essa variável, testando a equação na prática, nenhum guru pode falar pelos outros.


É possível aprender com experiências de quem já está na estrada há mais tempo? Eu acredito que sim, por este motivo precisamos falar mais sobre experiências reais que envolvam essa transição, construir uma comunidade forte e unida, inovar demais pode ser fatal, precisamos encontrar um meio de diluir esse potencial, para que ele não se torne apenas fogo de palha.


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Sobre a autora


Pode me chamar de Mari. Parei de brigar comigo mesma tentando ser quem eu não gostaria, desde então, vivo perseguindo dia e noite equilíbrio entre vida pessoal e profissional.


E no meio deste caminho, descobri que consigo apoiar muita gente:


Aqui a gente fala sobre como ressignificar VIAGENS, em um estilo de vida que vai bem em qualquer ocasião, não só nas suas férias, finais de semana ou aposentadoria.


Sigo escrevendo bobagens por aqui, fique a vontade para ler.

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