Para além das burcas



As máscaras são instrumentos utilizados por bandidos, artistas, profissionais da saúde, foliões no carnaval e recentemente, indispensável (obrigatório), para circular nas ruas vide pandemia covid19.


O esforço sanitário de conter o vírus, trouxe à superfície muitos fantasmas, pelo menos para mim, as máscaras são muito enigmáticas.


Por si só, os rostos que escondem felicidade, tristeza, boas e más intenções, já era definido por Freud como máscara, por esconder a personalidade.


E é só atar a bendita no rosto: falta ar, nariz coça (insuportavelmente), dificuldade de entender o que se fale e o que se ouve.


É difícil se adaptar não é?



Créditos da Foto: John Wayne Gac.


Agora imagine espiar o mundo por uma fresta de 2,5 centímetros. Se tratando de biologia e anatomia, nossos olhos por si só, já enxergam o mundo por uma fresta estreita no espectro eletromagnético.


As barreiras físicas que as máscaras impõe se somam as anatômicas. Motivos: sanitários, profiláticos, mal intencionados, humorísticos e no caso das burcas, instrumento de opressão às mulheres.


Instrumento de opressão às mulheres muçulmanas e de países islâmicos certo? Errado.


Créditos da Foto: Hassan Ammar.


A sociedade já me mostrou o mundo diversas vezes sob esta mesma fresta de 2,5 centímetros. Sou treinada, expert, em controlar meus músculos faciais. Consigo ocultar minhas vontades, intenções, nível de energia, tristeza e até alegria.


Meu rosto, feminino, é uma ameaça.


Nos oferecem “oportunidades” para falar sobre o universo feminino, especialmente em março e outubro, mês da mulher e da consciência do câncer de mama respectivamente.


Mas e se eu quiser falar sobre esporte, games, economia e política? Para onde vão os outros 10 meses do ano?


A liberdade necessária, é aquela que “eleve os homens às alturas e possibilite uma vida afirmativa”.


Os efeitos secundários desta falta, é o mundo sob a burca que toda mulher usa. Hoje, crianças, adolescentes, adultos, idosos, de todas as cores, crenças, credos e sexo, se incomodam com a burca sanitária obrigatória, por simples desconforto anatômico.


Ser livre, é contra a moral.


Como resolver o problema dos cargos de liderança ocupados majoritariamente por homens, desigualdade de salários para mesma função, discriminação a maternidade e tantas outras burcas que nos obrigam a usar.


Confesso que de todas as burcas que me obrigaram usar até hoje, a que mais me dói é a repressão a liberdade.


Tem gente que luta por diversos ideais, causas e propósitos, todas batalhas legítimas. Eu luto através da escrita, em deixar escapar meu sopro de liberdade.


O único lugar em que eu me sinto confortável em tirar a burca e deixar a máscara de lado, é dentro da minha casa (que já é um privilégio).


Mas eu gostaria de transferir esta liberdade para o trabalho, conversa em uma mesa de bar, posicionamentos profissionais, políticos, econômicos e por aí vai.


Gostaria eu, não ser expert em em controlar meus músculos faciais e ocultar minhas vontades, intenções, nível de energia, tristeza e até alegria. Mas sou.


Por isso escrevo, tentativa desesperada em deixar escapar a liberdade.


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Sobre a autora


Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.


Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.

Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!


Tem dúvidas? Quer acompanhar todas as novidades? Ficar por dentro de todas as ideias? Fala comigo, é só me seguir no LinkedIn, Mariana Rosa.

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