O tal propósito só vai aparecer quando você estiver ocupado fazendo outras coisas

Este artigo faz parte da série: Sonhos Que Podemos Ter, um projeto que traz discussões para inspirar ideias e planos saírem das gavetas, através da Escrita Criativa. Fruto da parceria com a Júlia Vieira, juntas elaboramos uma série pensada em ajudar você construir sua identidade além de experiências acadêmicas e profissionais, por histórias que Inspiram. (Confira o primeiro aqui)




Mais ou menos ano 2016, uma amiga bem corajosa, me chamou para bater um papo. Estávamos voltando para casa após o trabalho (na época estágio). No metrô de Belo Horizonte, especificamente na Estação Central, ela me perguntou: "E aí, o que você anda pensando em fazer da vida?" Eu respondi entre algumas várias coisas: “Aonde é que esta vida vai nos levar?”.



Acho que foi uma das coisas mais sinceras que eu poderia ter feito comigo mesma naqueles 20 anos, eu realmente não sabia onde a vida iria me levar e não estava planejando absolutamente nada do que viria pela frente.


Bem poético esse diálogo, diria que se estivesse em algum livro de Machado de Assis, poderia cair na prova de literatura a seguinte pergunta: “O fato de estar no metrô tem correspondência metafórica com o fluxo da vida?” (Inclusive era na verdade um trem, mas nós mineiros chamamos tudo de trem, exceto o que realmente o é).


Eu não tinha mesmo ideia do que viria em seguida, estava ocupada demais tentando conciliar meus instintos e sonhos com o apreço e admiração dos meus pais, tudo certo para dar errado. No meio desta busca pelo sabe-se lá o que, a enxurrada de materiais e livros de autoajuda forçando a busca pelo tal propósito só aumentavam a angústia.


Parece que todo mundo sabia o que estava fazendo, menos eu. Um clássico para mim foi o livro do Simon Sinek, “Comece pelo Porquê”, que embora eu ache excelente, na época só me fez aumentar a sensação de estar vivendo no meio da série de Lost com Jack e Kate.


Esta mesma amiga corajosa quem me fez a pergunta que abre o artigo, me fez um convite um tempo depois para participar de um Hackathon na UFMG durante um final de semana, o objetivo era desenvolver uma startup do zero. Eu nem sabia o que era uma Startup, mas como não sabia de nada mesmo, como um tiro de misericórdia entrei de cabeça.


Eu tinha muita inveja de todo mundo que estava li, vi tanto brilho nos olhos, tanta vontade de fazer acontecer, tanta gente com conhecimento sobre tanta coisa legal. E eu lá, perdida.


Liguei o piloto automático mais uma vez, peguei os conceitos apreendidos naquele final de semana de imersão, e mudei completamente o rumo da minha vida para área de Marketing e Vendas.


Comecei a trabalhar no setor comercial e fui de cabeça. Mudei de curso, fiz os workshops/consumi livros da moda sobre o tema, fiz pesquisas de setor e posições que gostaria de trabalhar e por fim decidi que iria experimentar todo o funil de vendas, desde SDR, Inside Sales, Sales Ops, Closer a Farmer.


Elaborei este tanto de metas e consegui alcançar todas, fiquei feliz e minha família também. Fui a primeira da minha casa a conhecer outro país, detalhe que era uma viagem a trabalho.


Tudo certo e eu já tinha até me esquecido daquele tal propósito que me perseguia feito cão anos atrás. Relaxei, mas não pude deixar de sentir uma estranheza no que tinha acontecido.


Até que um dia meu chefe me perguntou quais meus planos a longo prazo. Senti até uma fisgada no peito, aquele fantasma que eu tinha trancado no porão da casa voltou para me assombrar, inventei qualquer coisa e depois fiquei sozinha com minhas neuras.


Naquele exato intervalo de tempo em que eu fiquei focada em alcançar as metas que tinha traçado para minha vida profissional, notei que foi justamente quando resolvi deixar de lado a busca pelo tal propósito. Foi bem aí, neste instante, que minha vida aconteceu. Eu estava tão ocupada fazendo outras coisas, que pela primeira vez me dei conta de tanta coisa legal que havia acontecido.


Eu comprei um patins, me matriculei na Yoga do bairro (melhor coisa que já fiz por mim), comecei a correr por aí, comprei um Kindle (segunda melhor coisa que já fiz por mim) li mais de 30 livros em um ano e comecei a escrever pra caramba. Detalhe que não fiz estas coisas porque estavam em um livro de autoajuda, fiz porque eu tive vontade e ponto final.



No meio deste processo, o melhor de tudo, foi descobrir que minha família não estava feliz por conta das metas e conquistas profissionais que eu tinha alcançado, mas porque eu estava em paz mesmo.


Tudo é um processo. Definitivamente eu não escolhi chegar onde estou hoje e não tenho vergonha de dizer isto, ao contrário, conheci pessoas excepcionais e agradeço muito tudo que vivi. A bem verdade é que nem todo mundo sai da barriga da mãe sabendo o que quer, menos ainda, nem todo mundo tem a chance de ser exposto a diversas opções que facilitem as escolhas. Tá tudo bem.


“Você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás. Então você tem que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda diferença na minha vida.” Steve Jobs.

Eu confiei que as coisas dariam certo e de fato deram. Sem dúvidas, a fonte mais libertadora desta caminhada foi a escrita. Tudo que eu não podia traduzir ou entender em um momento específico da minha vida, eu dediquei a compartilhar com meu bloco de notas ou um arquivo solto no Google Docs.


É cientificamente comprovado que através das artes (pintura, música, escritae por aí vai), "coisas presas se soltam" (tipo válvula de escape), toda energia reprimida encontra seus próprios mecanismos de fuga. Isto é autenticidade. Por igual motivo, autenticidade não pode ser traduzida em fórmulas ou modelos.


O propósito enfim ganhou forma, os artigos se concretizaram como instrumento para inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo, ajudar as pessoas ter uma vida mais leve e bem humorada.


Confiar e relaxar me libertou dos clichês, eu precisava ter uma vida significativa para mim, não a vida que os outros esperavam que eu levasse. Alivou demais tirar este peso das costas, minha qualidade de vida e saúde mental agradecem.


A amiga corajosa que por duas vezes me ajudou a ligar os pontos desta caminhada, meu muito obrigada, Flávia Caldeira. A você leitor, não desanime, não surte e cuidado para não perder sua vida na busca pelo tal propósito, ela vai acabar passando e talvez você não se dê conta.




Nós duas na Big Apple.

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Sobre a autora

Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.


Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.


Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!


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