O que te traz alegria? Dissecando Marie Kondo e o Minimalismo além da estética




Sempre que um movimento surge, ele vem carregado de esperança para resolver os problemas do seu próprio tempo; não diferente para o minimalismo, ele se comporta exatamente como uma ferramenta para nos ajudar a lidar com os excessos do século XXI.


Quais excessos são esses?


O excesso é de qualquer natureza, embora ouvir o conceito ative uma ligação direta com tópicos relacionados à estética e design.


Além destes estereótipos, que são válidos, tivemos (ou estamos tendo) que aprender a lidar com o excesso de informação. "Nos cobramos cada vez mais por resultados, a onda do 'eu consigo' e do 'yes, we can' tem gerado um aumento significativo de doenças como depressão, transtornos de personalidade, síndromes como hiperatividade e burnout".


Literalmente, vivemos em espaços que não nos pertencem, talvez daí a ponta do iceberg desse movimento, seja o estético e o design. A questão é: estamos começando a faxina do lado de fora?


Se você também foi impactado por Marie Kondo, possivelmente se sentiu um estranho dentro de casa, que tanto de coisa é essa aqui? quem possui quem?


" massa de informações e de imagens é um enchimento onde ainda se faz sentir o vazio, mais informações e comunicações não clarificam o mundo." Byung-Chul Han.

Segundo ela, que se tornou a maior autoridade no assunto, a fórmula secreta para uma vida melhor pode estar em algo tão simples quanto arrumar sua casa. O lado de fora, é só o reflexo da bagunça do lado de dentro. É por isso que a ordem da faxina começa errada.


Pintar toda casa de branco é uma influência muito norte-americana, o consumo lá é muito exagerado, isso não faz muito sentido para nós brasileiros e latino americanos, nós vamos precisar de outras ferramentas para lidar com outros excessos.


Foto by: Unsplash


Minimalismo estético não é errado, e tudo bem achar ele bonito, mas ele é diferente do estilo de vida minimalista.


Marie Kondo nos sugere que para avaliar e ponderar os excessos, é legal levar em consideração elementos como, nossa personalidade, memórias, afetos e relacionamentos harmoniosos com nossa base de convivência e principalmente, com a gente mesmo (e esse não é um aval para entulhar a casa, é só o começo).


Já teve a sensação de ter coisas demais sobrando? Já teve essa sensação no trabalho? Nos relacionamentos entre amigos e a dois? São todos esses excessos que nos impedem de nos manifestar como potência e protagonismo da própria vida. Que tiram o brilho de quem acorda todos os dias, sem saber pra que né?


Viver na era Pinterest/Instagram não é o problema em si, mas não se dar conta sim. De repente o mundo se tornou disponível demais para o consumo humano, mas nem tudo é para todo mundo. Isso vale não só para as coisas, pode se aplicar também a interesses, hobbies, livros, gostos, comidas, trabalho, relações e mais uma lista infinita.


A pandemia empurrou uma galera para dentro de casa 24 horas por dia. Casas, que antes eram um dormitório, precisaram se transformar em um lar.


O trabalho invadiu nossas casas e, tomara que não voltemos à normalidade, pois, se voltarmos, é porque não valeu nada a morte de milhares de pessoas no mundo inteiro. Depois disso tudo, as pessoas não vão querer disputar de novo o seu oxigênio com dezenas de colegas num espaço pequeno de trabalho. As mudanças já estão em gestação. Não podemos voltar aquele ritmo. Ailton Krenak.


Como viver o minimalismo além do estético?


Habitar significa originariamente, "estar satisfeito, estar em paz, permanecer onde está". Byung-Chul Han.


A constante obrigação por alto desempenho e exposição de produtividade, na vida pessoal e profissional, é uma das violências que destrói a nossa paz. O nosso colapso/maldição dos sobreviventes do século XXI é neuronal, basta reparar nas doenças com maior número de diagnósticos: depressão, transtornos de personalidade, síndromes como hiperatividade e burnout.


É daí, desse desespero, que nasce a chance de viver o minimalismo além da estética e oferecer resistência a essa violência, não somos obrigados a engolir demandas, não precisamos nos sentir incapazes ou capazes demais, não precisamos consumir bobagens, nem bitolar a cabeça com a neura de desempenho e alta performance. É possível passar por tudo isso, sem ser atingido (ou atingido demais).


A sociedade do século XXI não é mais a sociedade disciplinar, mas uma sociedade de desempenho. Também seus habitantes não se chamam mais “sujeitos de obediência”, mas sujeitos de desempenho e produção. São empresários de si mesmos” Byung-Chul Han.


Ser produtivo o tempo todo, é cansativo, e é isso que está sobrando, tá fora de moda, muito mais tenebroso do que a exploração do outro é a exploração de si mesmo; portanto, autocuidado, envolve dar um basta, a menos que não se deseje alimentar o cansaço e ele se torne o monstro do esgotamento, a faxina do minimalismo precisa começar por dizer não, a tudo aquilo que não é pra gente, começar eliminando os excessos de dentro.


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Sobre a autora


Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.


Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.


Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!


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