O que o filme 'Clube da Luta'​ e os Millennials tem a ensinar a gerações sem esperança

Clube da Luta é um dos meus filmes preferidos e confesso que os critérios desta preferência, são bem pessoais, afinal de contas, "roubar restos de gordura humana em clínica de lipoaspiração, para fazer sabão e vender por aí" não faz parte dos roteiros bem aceitos pela sociedade.


A trajetória tão fora dos padrões de Chuck Palahniuk é um caso de amor para os millennials, a tão estigmatizada "geração mimimi".


Com respeito a todas as ideologias, estilo de vida e pensamentos, peço gentilmente que retire todo seu pré conceito sobre o assunto, antes de continuar esta leitura, prometo que estou fazendo o mesmo antes de continuar escrever este artigo.


Como uma pessoa muito bem humorada, quero contar uma história alegre sobre a minha perspectiva de vida e do mundo (como uma millennial), através do roteiro de um filme que há anos atrás me iluminou sobre a "bestialidade" gratuita que temos de sobra a nossa volta.


Se você não sabe ou ainda tem dúvidas sobre o conceito: conhecidos também como geração Y, os millennials representam um intervalo demográfico da população mundial., aproximadamente estima-se que essa geração é identificada por nascidos entre a década de 1980 até 1995.


Popularmente conhecidos também: profissionais de startups, que trabalham de bermuda, comem paçoca, brincam na piscina de bolinhas da empresa, com ampla experiência em produção de memes.


E o que o Cluba da Luta tem a ver com Millennials?


Como destacado no início, para um filme produzido em 1999 o roteiro não é nada amigável ou preocupado com as críticas/opiniões (não mera coincidência), todo este choque de realidade me proporcionaram "3 iluminações" .


Listei abaixo todas, tim tim por tim tim, pois acredito muito fortemente que são agnósticas a ideologias e pensamentos, vão muito além de gerações e dizem sobre a natureza do homem, que está "Além do Bem e do Mal".


1 - Somos uma geração sem peso na história


1980 a 1995, o que aconteceu neste intervalo de tempo? Pegue um livro de história do Brasil e do mundo e repare o período que compreende o nascimento dos millennials.


O filme trata este período como: "Somos uma geração sem peso na história, cara. Sem propósito ou lugar. Nós não temos uma Guerra Mundial. Nem uma Grande Depressão. Nossa Guerra Mundial é a guerra espiritual… nossa Grande Depressão é nossas vidas"


Ao contrário de adversidades sérias que outras gerações passaram, nossa única "dificuldade" foi se adaptar ao invento mais poderoso dos últimos tempos, a internet.


Este tempo de "calmaria" na história do mundo, permitiu pela primeira vez que o ser humano olhasse para dentro de si e questionasse seus valores e atitudes, em busca de realização pessoal.


Definido por Abraham Meslow como Hierarquia das Necessidades, fica mais fácil compreender a transição de pensamento entre as gerações. Não da para pensar em realização pessoal, enquanto você não sabe se vai ter o que comer ou não.


É natural a qualquer espécie animal, uma vez que o instinto de sobrevivência está acima de qualquer outra necessidade.


Imagine só, nossos avós e pais, precisando escolher entre sobrevivência/superar instabilidades e guerras políticas versus reflexão sobre a consciência?


Portanto, se você faz parte desta geração que cresceu sob o medo, meu sincero agradecimento por preparar o terreno para liberdade do pensamento que estava por vir e parabéns por não ter surtado (ou não) até o fim disto tudo.


2 - As coisas que você possui, acabam possuindo você!



Em um ataque de ódio de Tyler Durden (personagem principal interpretado por Brad Pitt), afirma: A propaganda nos faz comprar carros e roupas, trabalhar em empregos que odiamos para comprar coisas que não precisamos.


Sem nenhuma apologia a você largar tudo e viver da sua arte na praia (o que também não tem problema nenhum), mas o mundo de Descartes virou ao avesso e o "penso" se transformou em "compro":


Compro, logo existo!

O ser humano historicamente nunca foi estimulado a olhar dentro de si e preencher suas lacunas com uma dose de "auto psicanálise", mas sim, com coisas. Quanto mais, melhor!


Agora que ganhamos a chance e o privilégio de racionalizar sobre onde estamos e como estamos, continuamos repetindo o mesmo padrão de comportamento. As pessoas se afundam em financiamentos, empréstimos, compras de carros, celulares, roupas e milhões de outras tranqueiras, que definitivamente não precisam! (uma trap sem fim).


O ser se transformou em ter.


As pessoas estão cada dia mais lotando consultórios médicos, psicólogos, tomando remédios e outras meios de fuga, para preencher vazios que desconhecem completamente a causa. Uma busca desesperada no exterior, por tudo aquilo que está contido dentro de si próprio.


3 - "Todos nós fomos criados vendo televisão para acreditar que um dia seríamos milionários, e estrelas de cinema, e estrelas do rock


...Mas nós não somos. E estamos aos poucos tomando consciência disso. E nós estamos muito, muito revoltados."


Outro dia, vi um lindo exercício de auto reflexão do @Murilo Gun que continha o seguinte desafio...


Responda a pergunta a seguinte, sem dizer o que você faz: Quem é você?




O ser humano é uma espécie condicionada.


Desde o nascimento, ganham um nome, são orientados a reproduzir uma série de comportamentos dos pais, avós, escola (sem questionar nada), são também orientados a seguir rituais como estudar, ter um bom emprego, casar, ter filhos e por aí vai.


Tudo em nome de uma falsa segurança, a falsa promessa de que se você seguir todo o script à risca, no futuro você poderá usufruir da sua aposentadoria - coincidência ou a religião é muito parecida? Basta substituir aposentadoria por "paraíso".


Diria que a capacidade de valorar do ser humano (criar os próprios valores), foi perdida, mas analisando a história, diria que nunca foi conquistada.


Assim Freud explica, reproduzimos comportamentos que não fazem o menor sentido por todas as nossas vidas, sem questionar.


É por isto que Tyler afirma, "Você não é o seu trabalho", "Você não é o carro que você dirige", "Você não é o conteúdo da sua carteira", você é tudo que sobrou destes arquétipos falsos que foram inventados.


Uma mentira repetida várias vezes, se torna uma verdade. Hitler, usou esta mesma estratégia para levar um país inteiro a cometer o maior genocídio que temos notícia na história do mundo.


Não entenda mal, sei que o exemplo é muito forte, mas neste exato momento temos um MUNDO INTEIRO, reproduzindo uma mentira assim como Hitler.


Sim, o homem pode ter o carro que tem, pode ter o emprego que tem, pode ter o dinheiro que tem, mas se este mesmo homem um dia sentir que lhe falta algo, talvez ele deva aprender preencher este vazio com auto conhecimento, criar seus próprios valores, respeitar sua própria natureza e instintos.


É impossível o homem ir contra a própria natureza e não sofrer consequências. Daí surgem as fobias, medos, insegurança, depressão e até mesmo as doenças fisiológicas desencadeadas pela mente.


Gostaria de fechar com um relato pessoal bem curioso.


Antes do Murilo Gun, meu psicanalista desde a primeira consulta me faz a mesma pergunta: "Quem é você?".


O mundo e as condições, nunca foram tão oportunos, para você responder esta pergunta mágica, "Quem é você cara?".

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Sobre a autora


Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.


Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.


Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!


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