O Preço da Incoerência, em uma análise decepcionante do final de 'Game of Thrones'​



Ordem, conexão ou harmonia de um sistema de conhecimentos, é a definição que mais me agrada para coerência. Em contrapartida sua ausência, determinada por incoerência, definimos a falta de ordem, falta de conexão e falta de harmonia.


Ordem, conexão e harmonia, por sua vez, três atributos muito importantes e essenciais para aquilo que chamamos de combinado/trato/negócios/tréguas ou qualquer relação que envolve duas partes ou mais.


Traduzido facilmente para o diálogo popular em, "combinado não sai caro".


De um extremo ao outro, o rompimento desse pacto de qualquer lado envolvido, tem se mostrado a causa das maiores decepções na vida do homem por milhares de anos.


Exemplo simples e atual: Sérgio Moro foi a maior esperança (e última) de muitos brasileiros na luta contra a corrupção no Brasil. E por diversos motivos, se revelou na verdade uma das maiores decepções.


O gosto é amargo e as consequências podem cobrar um preço muito alto. A vida do homem foi e é escrita sob combinados e tratos. A palavra, já foi em um tempo, a única garantia de muitos acordos.


No mundo moderno, a decepção pode custar desde o término de um relacionamento, até a perda de um negócio ou cliente importante. Tendo como única origem, a incoerência.


No artigo desta semana, preparei uma análise sobre O Preço da Incoerência, com a construção intertextual a partir da série 'Game of Thrones' e o seu final decepcionante.




A única coerência mantida do início ao fim em Game of Thrones foi o propósito de não agradar aos fãs. Imagino que nenhum amante da trilogia vibrava, por exemplo, por um final de novela, repleto de casamentos e aqueles clichês tão batidos dos filmes de Hollywood.


Mas infelizmente, George R. R. Martin, levou a sério demais esse negócio de não agradar e de maneira bem desleixada, ele perdeu o fio da meada, descomprindo os vários combinados que havia feito com seus telespectadores (de maneira bem lambona na minha opinião humilde).


Independente de qualquer opinião, as duas últimas temporadas são completamente diferentes das seis primeiras.


O problema principal? Ritmo.


As temporadas 1-6, eram coerentes ao propósito detalhista e minuncioso que nos fora prometido. Mostravam todas as negociações e planos que levavam às cenas de maior impacto, como execução de Ned Startk, Casamento Vermelho e o Assassinato de Jon Snow.


Já as temporadas 7-8, lembram mais aquele trabalho da escola no ensino médio que deixamos para última hora.



A preocupação em explicar os detalhes, pequenos eventos e conversas que antecedem momentos grandiosos, deixa de existir. E existe uma explicação lógica para esta "sensação" de que algo está errado.


Não mera coincidência, a mudança de ritmo que é percebida, tem origem justamente no momento em que a série ultrapassa os eventos dos livros então publicados por George R.R. Martin.


Tipo assim: não dei conta de escrever tudo a tempo, vamos bolar alguma coisa.


Zeynep Tufekci, professora de análise do discurso da Universidade da Carolina do Norte, explica essa mudança.


O estilo de narrativa inicialmente utilizado, focava na história e ritmo, não em personagens específicos. O objetivo principal era falar sobre o funcionamento e mecanismos de poder de Westeros (a “roda” que Daenerys tanto quis quebrar). Isto explica a execução de Ned Stark e o Casamento Vermelho.


O verdadeiro protagonista era: The Game of Thrones (a disputa pelo trono de ferro).


Algo totalmente novo e raro em séries, sendo justamente, o principal combinado que sustentou o enorme sucesso e expectativas criados em torno da obra.


Mas algo mudou. A ordem, conexão e harmonia, foram brutalmente interrompidos, quando nas temporadas 7 e 8, o foco passa a ser sobre personagens específicos, se tornando uma narrativa psicológica como as milhares que já estamos acostumados por aí.


Jon Snow e Daenerys Targaryen, se tornam o núcleo do enredo. Não é difícil, portanto, entender por que essa mudança acontece justamente quando a série ultrapassa os livros, neste momento quem nos fala não é mais George R.R. Martin, mas sim, alguns muitos redatores.


Não somos mais apresentados aos mínimos detalhes, as coisas simplesmente, acontecem!


Eis que o entusiasmo e encantamento, se perdem, abrindo espaço para decepção com sua origem única na incoerência.


Do lado do telespectador, são 8 anos de uma trilogia que prometeu quebrar paradigmas e praticamente se estabelecer como uma obra de arte estilo Capela Sistina.


Do lado de George R.R. Martin, sua reputação enquanto profissional.


O envolvimento do público é muito mais que apenas busca por entretenimento. Game of Thrones se tornou pauta de estudos, discussões e esperança no estilo de produção de séries, filmes e novelas. Estas expectativas são altas demais para serem quebradas.


Confesso que qualquer fosse o final, o sentimento de decepção seria o mesmo. Mas não aquela motivada pela falta de coerência.


Esta mesma incoerência que pode azedar a admiração por um escritor, é aquela que vai manter laços e uniões estáveis em qualquer esfera da vida e relacionamento humano.


Não azede seus combinados, seja coerente.


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Sobre a autora


Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.


Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.

Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!


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