O Dilema das Redes: Privacidade online ou Efeito Maria-Vai-Com-As-Outras?



"Nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição" é a frase intrigante que abre o documentário Netflix mais falado dos últimos tempos, 'O Dilema das Redes'.

São 90 minutos que transbordam teoria da conspiração sobre a forma como nossos dados são utilizados, por grandes empresas de tecnologia, como Google, Facebook, Twitter, Instagram e por aí vai.


Além da falta de privacidade online que é trazida à tona, grandes nomes de executivos que pertenciam a estas grandes empresas, falam abertamente sobre os mecanismos e engenharia por trás do algoritmo destes softwares, que tem literalmente o objetivo de viciar seus usuários e os manter o máximo de tempo possível online.


O termo vício inclusive, é muito bem abordado por outra frase intrigante e perturbadora apresentada:


"As únicas indústrias que chamam seus clientes de usuários, são as de droga e as de software".

Sem dúvidas, estamos intoxicados e entorpecidos pelos efeitos que a tecnologia vem provocando em nossas vidas, seria esta a maldição que estamos expostos?


Vivemos em um mundo hiperconectado, em que as distâncias geográficas não interferem em nada a comunicação, mas qual será o preço que teremos de pagar por estes avanços tão grandiosos?


Diferente de toda polêmica que envolveu o assunto nas últimas semanas, eu queria apresentar uma discussão diferente sobre o tema neste artigo.


Afinal de contas, a Internet e as empresas de Software, estão desempenhando de uma forma diferente, o mesmo papel que um dia já foi da religião, dos regimes totalitários, da televisão (que ainda exerce muita influência sob seus expectadores), entre outros meios.



É um assunto muito novo e ainda estamos aprendendo a lidar (ou não), mas fato é, as histórias de violação de privacidade estão cada vez mais comuns e nesta corrida entre proteção de dados pessoais versus mecanismos de violação, estamos em sérias desvantagens.


Mas a pergunta é: Estamos focando no vilão certo?


Te conto como eu organizo meus pensamentos neste sentido ao longo do texto, continue a leitura.




Efeito Maria-Vai-Com-As-Outras


Efeito Maria-Vai-Com-As-Outras é o nome que se dá para descrever situações em que indivíduos em grupo reagem de forma parecida, mesmo que de forma irracional, apenas por causa da pressão exercida pelo grupo.


Hoje em dia, muito comum no mercado financeiro (o que explica muito bem as bolhas), na comunicação das empresas e principalmente na internet. Se você já tomou uma decisão por impulso, compartilhou, comentou, curtiu algo sem pensar, saiba que você é normal.


O Professor Fabrício Benevutor da UFMG, deu outro exemplo de onde podemos encontrar o Efeito-Maria-Vai-Com-As-Outras:


"Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso".

Um comportamento difícil de ser explicado e identificado, mas ajuda a justificar muitas atitudes em que os indivíduos tem dificuldade em aceitar.


A própria sinopse do documentário Netflix, como apresentado no início do texto, contém vários gatilhos de copywriting (técnicas de escrita persuasiva) muito conhecidos na publicidade, para aumentar a conversão a levar o usuário a assistir o conteúdo ( Netflix inclusive é uma empresa de software, que utiliza a benefício próprio as suas informações enquanto usuário).


Portanto, se você assistiu 'O Dilema das Redes', saiba que muito provavelmente, foi induzido a tomar esta ação, seja por que todo mundo ao seu redor está vendo ou porque foi seduzido pelo resumo e comunicação (meu caso).


O que tudo isto me leva a pensar é que, o que antes seria possível apenas em roteiro de filme de ficção científica, se tornou realidade.


Vivemos numa época em que a inteligência artificial é amplamente utilizada, obviamente, deveria ser um método seguro e confiável, mas escancarou diversas falhas e erros. O fato curioso é que estas falhas, mostram problemas estruturais em nossa sociedade.


Qual a culpa da tecnologia neste processo?


A tecnologia é um meio, mas esquecemos do fato de que somos nós humanos, que programamos estas máquinas. Isso significa que, os algoritmos desenvolvidos, irão seguir nosso padrão de comportamento.


Nossas definições de sucesso, cultura, valores e crenças, invariavelmente vão fazer parte das linhas de programação destas tecnologias.


Se existem códigos escritos por programadores, com objetivo de seduzir s e viciar seus usuários a permanecer o máximo de tempo online, como o documentário 'O Dilema das Redes' nos mostra, é porque o comportamento humano e da sociedade, historicamente age conforme o Efeito Maria-Vai-Com-As-Outras.


Se deixar levar pelo piloto automático da vida, é muito arriscado.


Não é só sobre a tecnologia, mas também política, economia, família, trabalho, jornal, televisão, religião, futebol e infinitas outras coisas.


E agora, como não criar uma inteligência artificial manipuladora?

A tecnologia, assim como todas as criações do homem, vão sempre refletir suas fraquezas e impulsos.


Diferente de pensar em criar uma inteligência artificial neutra, talvez seja o espaço e hora de refletir, porque tomamos as atitudes que tomamos e ser mais protagonistas das nossas ações. Fugir do barulho do Efeito Maria-Vai-Com-As-Outras, aprender a pensar por si mesmo.


A tecnologia deve ser usada a favor próprio.


E tudo bem, ainda que você tivesse um QI acima de 200, certamente manter-se vigilante 100% do tempo é impossível, é justamente isto que nos torna humanos, nem todo intelecto do mundo poderia nos blindar de todo o mal que existe.


Nossa inteligência não é suficiente para filtrar todas as informações que recebemos. De qualquer forma, haverá muitas coisas estúpidas chegando. Às vezes, sabemos que estamos prestes a fazer algo sem noção, mas ainda assim faremos.


É impossível controlar todas as informações que recebemos, portanto, não demonize a tecnologia e as empresas de software. Eventualmente ser uma Maria-Vai-Com-As-Outras acontece.


Mas se você quer evitar a manipulação maquiavélica dos sofisticados algoritmos de software, além de buscar estar mais consciente o máximo de tempo possível, outra alternativa bem legal é se rodear de pessoas e assuntos afins ao seus, que realmente valham a pena.


Conclusão


▶️ Pense sozinho. Ao acordar ao invés de pegar o celular e já ir checando mensagens, e-mails e redes sociais, tome um café da manhã tranquilo, se dedique a fazer uma atividade física ou qualquer outro novo hábito (isso aumenta muito a sensação de dia produtivo e bem estar).


▶️ Pessoas em grande quantidade tendem a ter comportamentos em massa. Procure interiorizar cada ação sua, independente do núcleo de amigos, trabalho ou família, em que qualquer decisão esteja sendo discutida.


▶️ Evite fofocas. Antes da Prensa Móvel de Gutenberg, a fofoca foi o veículo da informação no mundo, mas os tempos mudaram e a partir de agora, você pode se informar melhor. Palpites afetam sua mente e por mais que você saiba que está ouvindo bobagens, seu subconsciente sempre pega alguma coisinha que pode te atrapalhar depois.


Sejamos protagonistas das nossas ações e responsáveis por tudo aquilo que qualquer pessoa ou tecnologia e software possa impactar em nossa vida.


Você é a média das 5 pessoas com quem mais convive. E aí, que tipo de pessoa você é?


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Sobre a autora


Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.

Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.

Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!

Tem dúvidas? Quer acompanhar todas as novidades? Ficar por dentro de todas as ideias? Fala comigo, é só me seguir no LinkedIn, Mariana Rosa.

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