Interstellar em uma resenha (quase) sem spoilers para entender a ciência por trás do filme


“Só porque a humanidade nasceu na Terra não significa que tenhamos que morrer todos nela”.

A primeira frase deste artigo, já deixa claro o que se esperar do filme tanto quanto o conteúdo do nosso texto por aqui, mas antes de entrar no enredo da produção de Nolan, queria fazer um breve paralelo a uma frase de outro filme que não será tema da nossa discussão por aqui, mas cabe muito bem ao momento.


Tive uma revelação ao comparar a sua espécie e percebi que o ser humano não é um mamífero. Todos os mamíferos do planeta instintivamente entram em equilíbrio com o meio ambiente, mas os humanos não. Os humanos vão para uma área e se multiplicam até que todos os recursos naturais se acabem, e sua única maneira de sobreviver é indo para outra área. Há outro organismo que se comporta exatamente assim: Um vírus.
Agente Smith, Matrix, 1999

Seja movido pelo comportamento biológico ou social, a história do homem nos leva a crer que assim como o espaço, somos seres que tendem a se expandir; desde as navegações rumo descobrimento, primeiro pouso a Lua, satélites/expedições liderados a outros planetas, como inúmeros outros exemplos rumo ao desconhecido.



Em contexto a fala do Agente Smith em Matrix, tal comportamento é semelhante a uma espécie que segundo a biologia não pode sequer, ser considerada um ser vivo, os vírus, devido a necessidade obrigatória de um organismo vivo para sua existência.


Segundo as projeções da ciência, nosso planeta azul não será capaz de coexistir em harmonia com o homem para sempre, visto seu poder de reprodução exponencial e destruição.


Não muito distante, imagine este nosso planeta azul, assolado por tempestades de areia, plantações destruídas por pragas. E que a maior preocupação não sejam as eleições presidenciais, mas sim, conseguir comida para o dia seguinte.


Vocês já imaginaram um país incapaz de cultivar alimentos suficientes para prover sua população? Seria uma nação exposta a pressões. Seria uma nação vulnerável. Por isso, quando falamos de agricultura, estamos falando de uma questão de segurança nacional.

George W. Bush (a única vez que não mentiu)

Uma possível solução? Olhar para cima, o espaço, a fronteira final.


Neste contexto, nasce o roteiro do filme Interstellar, ficção científica que busca retratar através do espaço como metáfora, o amor entre pais e filhos (vida eterna) e o legado que estamos deixando a humanidade.


A história gira em torno do núcleo familiar de Cooper, um ex piloto da Nasa que nunca desistiu do sonho de conhecer o espaço e passou este sonho também aos filhos, Tom e Murphy. Em um país arrasado pela crise agrícola e tempestades de areia, a cada segundo, o filme retrata a raça humana prestes a entrar em extinção.


Diante deste dilema extremo, Cooper aceita voltar ao espaço em busca de um planeta que os humanos possam viver.


E já com muito conteúdo para rodar o tema central, poderíamos dedicar as 2 horas 49 minutos de filme e focar somente no objetivo de encontrar outro planeta. Mas Nolan afirma o espaço como metáfora, aqui devemos explorar a relação do amor entre pais e filhos e o legado que estamos deixando para humanidade.


Quando Cooper aceita liderar uma missão espacial, ele tem de conviver com as consequências cruéis que a física impõe mediante uma viagem espacial.


O espaço, está preso na relatividade do tempo, em que uma hora intergalática, equiavale a 7 anos na terra. Sem contar, que a dilatação pode aumentar ainda mais, quando sob os efeitos dos buracos negros. Então, ele percebe que pode nunca mais ver os filhos.


Este contraste da história íntima entre pais e filhos + imensidão do cosmos no universo, se torna então o enredo central.


Não posso falar do lado da maternidade, porque não sou mãe, mas consigo imaginar a dor da perda dos pais.


Cooper em sua busca para salvar a humanidade versus rever seus filhos, é o clímax do filme.


Sobre a Relatividade e Dilatação do Tempo.


Recentemente, a Universidade de São Paulo (USP) fez um experimento com um relógio atômico, afim de comprovar a teoria da relatividade de Einstein, que garante a relação entre espaço e tempo: sua velocidade e sua distância em relação às massas gravitacionais afetam a velocidade com que você viaja relativamente rápido no tempo.


O experimento consistiu em posicionar dois relógios atômicos, um na cidade do Rio de Janeiro e outro no Topo do Himalaia. Após um intervalo, foi verificado que sob o mesmo planeta, embora diferenças sutis, já era possível avaliar diferenças de marcação da hora entre os dois pontos geográficos.


Imagine só, diferenças sutis já podem ser percebidas na terra, imagine em escala planetária.


Se formos analisar a relatividade do tempo em relação aos buracos negros, fica ainda pior. A massa gravitacional é tão grande, que caso você viaje para perto dele, o relógio irá praticamente parar para quem observa de fora.


E Cooper vai de encontro a eles no filme, especificamente, um bem grande, Gargantua. Aumentando ainda mais o paradoxo da diferença temporal.



O conceito de tempo como horas, minutos e segundos, é uma convenção humana de organização simples, muito útil, mas muito deturpada cientificamente.


Como prometi uma resenha quase sem spoilers, vou direto ao final do filme, para explorar o objetivo principal do artigo aqui, relação entre pais e filhos.


Não vou contar se Cooper foi bem sucedido ou não em sua missão, mas ele reencontra Lucy Murphy, sua filha. O contraste é que ele está impecavelmente conservado, enquanto para sua primogênita, agora em seu leito de morte, já se passaram 80 anos desde sua partida.



Um diálogo emocionante, faz o tempo parar.


Ela afirma que ninguém havia acreditado nela, mas sabia que ele voltaria, visto sua promessa.


Em quase 3 horas de filme, Nolan martela sobre nossas cabeças, que o amor, é a única variável inalterada, seja qualquer circunstância que o cosmos possa criar. Ele nunca termina e nos conecta para sempre; se alguém partir, não significa que tenha nos deixado.


É uma história sobre amor e imensidão do espaço.


Segundo Lavoisier, na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Comprovando que todas nossas crenças são mutáveis.


O homem já acreditou que um dia, era o centro do universo, que a terra era plana com bordas e diversas outras crenças que atualmente não fazem o menor sentido. Diante de tanta insignificância e ignorância em compreender o universo, porque ainda nos prendemos tanto aos conceitos? As chances de estar errados novamente, são muito altas.


Interstellar mostra que conceitos de morte, vida, tempo, espaço, velhice e etc, são totalmente variáveis, o universo é um eterno fluir e a ignorância é a maior benção que um ser humano possa conquistar.


Historicamente, esta nossa ignorância mostra que estivemos errados em vários momentos da nossa existência.


O verdadeira herança que podemos construir com nossas famílias, é o amor; o verdadeiro legado a se deixar para as futuras gerações é um mundo melhor que aquele que encontramos.


Não existem verdades absolutas e me aproprio de um trecho do patrono da Filosofia, Sócrates, para encerrar o artigo de hoje.


Só sei, que nada sei.

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Sobre a autora

Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.

Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.

Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!


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