Esqueça a motivação, "a inspiração é um cachorro cheio de raiva, um doberman bem aí atrás de você"​



Comecei a correr há 3 anos atrás, com a típica empolgação de principiante tão necessária quando começamos um projeto, comprei um tênis novo, roupas novas e cai de cabeça nas técnicas de respiração, pisada e posicionamento do tronco.


Seria divertido se não fosse trágico, mas fato é que eu não conseguia colocar em prática, NENHUMA das técnicas que eu estudava antes de cada treino (nem finalizar os treinos eu conseguia).


Não durou duas semanas, eu já estava com vergonha de chegar em casa e falar para meu companheiro que eu estava com preguiça e talvez não fosse a atividade física que eu quisesse dar foco, talvez fosse só para um domingo de manhã.



Sem paciência e muito ressentida comigo mesma em não conseguir finalizar as coisas que eu começava, pensando sozinha: eu não quero mais ser a pessoa que paga o plano anual da academia e vai 3 meses.


Eu estava ali, tentando (muito) arrumar motivação do fundo da minha alma, tentando reprogramar esse músculo preguiçoso chamado cérebro, que fica falando o tempo todo: "tem um jeito mais fácil, vamos descobrir, não dá pra morrer de cansaço assim, isso não é normal".


A sensação é que existia um cachorrão, um doberman bem atrás de mim, e ele estava bufando, muito, muito bravo.


Mas nada me tirava da inércia, eu estava viciada em encontrar atalhos, pegar impulso em algum conteúdo que prometesse "10 dicas para correr 5km e 30 dias sem sair da cama"; só que esse dia nunca chegou.


Nada do que eu lia, aprendia, estudava, me ajudava. Então, eu criei minha própria didática, literalmente briguei sozinha, fiquei sem conversar comigo mesma, me ignorei. Toda vez que um pensamento surgia, uma ideia ou sacada genial, eu respondia em pensamento "calada, nenhuma ideia sua deu certo até hoje, vou fazer exatamente o contrário de tudo que você pensar".


Acordei cedo no dia seguinte e saí para correr com raiva, mandei para longe as técnicas de respiração, pisada e posicionamento do tronco, escolhi qualquer roupa, qualquer meia, não separei fone, nem fiz uma playlist eletrizante, só decidi que ia correr.


Resultado, fiz meu melhor treino desde o primeiro dia em que comecei.


Foto da última corrida de rua. 5km em 26 minutos (quando comecei fazia esta distância em 43 minutos).


Nem os dias em que a motivação estava nas alturas, nada se comparou aquele momento. Resolvi não comemorar, porque eu não sabia o quanto ia durar a eficácia do novo método, mas repeti de novo, uma, duas, três, quatro, cinco e sigo repetindo até hoje.


Segui a nova didática, meio desconfiada por estar dando certo (mineira), muito in love, portanto continuei sem conversar comigo mesma por um bom tempo; até o dia que me coloquei na parede mais uma vez: "Mariana, precisamos conversar, como é que foi que a gente conseguiu?"


Um diálogo Smeagol e Gollum, materializou uma resposta de não sei onde, "a gente conseguiu indo".

E eu tenho muita felicidade de poder responder isso hoje, eu não consegui sair pra correr durante 3 anos e contanto, por conta da motivação ou inspiração ou um livro de reprogramação mental, eu consegui por conta daquele cachorro que berrava atrás de mim, aquele doberman bufando, babando, estilo Sinistro do Harry Potter.



E ainda bem, imagina colocar o resultado DA MINHA DISCIPLINA, na mão dessa droga chamada motivação.


A motivação, é como o primeiro copo de cerveja em um sábado de sol no buteco com os amigos, você vai buscar em todas as outras doses, aquela mesma sensação (que é MARAVILHOSA), mas só o que vai encontrar se continuar insistindo, é uma bela ressaca (física ou moral) em um domingo trevoso.


Parei de passar vergonha comigo mesma, não sofro mais de ressaca.


Durante a pandemia, nas minhas newsletters, recebi muitas solicitações, pedidos de ajuda, para dar dicas de como produzir melhores artigos no LinkedIn; eu vos digo que, se olharem bem direitinho sobre um dos ombros, poderão ver um cachorro, um doberman bem aí atrás de você, pronto para atacar.


A frase é do cartunista Henfil, ele acredita que a urgência, a necessidade, é a mãe da criação. O técnico de futebol Gentil Cardoso, falava a seus atletas: “eu quero que vocês vão na bola como num prato de comida”.


Não adianta fazer curso de Escrita Criativa, se você não puder fazer o básico: ESCREVER, isso é exatamente o que eu fazia, como procurar por técnicas de aprimorar a corrida, quando na verdade, eu não conseguia nem correr. Não tem como melhorar, o que não existe.


Parafraseando o velho Buk, não tente.


Se eu pudesse te dar uma dica, seria: eu quero vocês vão a escrita como num prato de comida.



Mas como eu não gosto de dicas, para os próximos 3 artigos, criei uma sequência de conteúdos especiais, que não vão te ensinar a escrever melhor, mas vão te ajudar a se organizar para escrever com disciplina, sem passar o carro na frente dos bois. Se quiser receber com exclusividade os materiais, vou enviar todos eles na minha newsletter quinzenal, basta se inscrever.


"É aquele negócio assim. Você está doente, com o joelho arrebentado, mas vem um cachorro preto, um doberman atrás de você. E aí você corre e, se preciso, até pula n'água sem saber nadar. Se for para subir num poste, você sobe"

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Sobre a autora

Oi, eu sou a Mari, não gosto dessa coisa de falar sobre mim na terceira pessoa e prefiro contar sobre minhas experiências e sonhos a falar sobre meu currículo profissional.


Minha maior ambição é inspirar a produção e consumo de conteúdo criativo no mundo de forma simples e prática, para que as pessoas possam levar a vida com mais humor e tirar velhos planos da gaveta.


Fora do meu horário de trabalho, estou sempre escrevendo algumas coisas aqui. Em 2020 comecei oficialmente a ajudar algumas pessoas a fazerem o mesmo, o objetivo: viver plenamente, escrita é também é terapia!

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